Em 4 de setembro de 2025, a espera mais memeada da indústria terminou: Hollow Knight: Silksong chegou simultaneamente a PC, PlayStation, Xbox, Switch e Switch 2 — incluindo day one no Game Pass. Dez meses depois, os números confirmam o evento: mais de 7 milhões de cópias vendidas até meados de dezembro de 2025, com milhões de jogadores adicionais via assinatura.

O contexto torna o feito mais impressionante: a Team Cherry é um estúdio independente australiano de um punhado de pessoas. Silksong nasceu como DLC do Hollow Knight original (2017) e cresceu até virar sequência completa, anunciada em fevereiro de 2019 — seis anos e meio antes do lançamento. Nesse intervalo, o silêncio do estúdio virou folclore da internet.

Hornet e o debate da dificuldade

No jogo, controlamos Hornet, princesa-protetora de Hallownest, levada ao reino desconhecido de Pharloom. A crítica consagrou gráficos, trilha, level design e o sistema de ferramentas e 'Crests' que diversifica os estilos de combate — mas a dificuldade elevada dividiu: para parte do público, é a identidade da série; para outra, uma barreira que o primeiro jogo dosava melhor.

Silksong é o contraexemplo definitivo do 'lance logo e conserte depois': seis anos de forno, zero crunch público, e um lançamento tecnicamente impecável.
Renato Brito, ARS Geek

A lição de Silksong não escala para qualquer estúdio: poucos têm o colchão financeiro (e a confiança do público) para sumir por anos. Mas ela recoloca uma régua incômoda para a indústria: escopo controlado, equipe pequena e tempo de maturação ainda produzem os jogos mais amados — e mais lucrativos — do mercado.