Duas semanas depois da estreia, já dá para fazer o primeiro balanço de Supergirl, o segundo filme do novo Universo DC de James Gunn e Peter Safran. Dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya) com roteiro de Ana Nogueira, o filme chegou aos cinemas em 26 de junho, após première no Brooklyn no dia 22, e acumula US$ 115 milhões de bilheteria contra um orçamento estimado entre US$ 170 milhões e US$ 186 milhões — um começo abaixo do que Superman registrou no ano passado.
Milly Alcock, apresentada como Kara Zor-El nos minutos finais de Superman (2025), assume o protagonismo ao lado de Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham, Jason Momoa e uma participação de David Corenswet. A trama adapta a minissérie Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King e Bilquis Evely — Kara cruza a galáxia atrás do responsável por ferir seu cão Krypto, numa jornada de vingança com tons de faroeste espacial.
O material de origem era o risco — e a razão de existir
Woman of Tomorrow é uma HQ amarga e contemplativa, sobre trauma e a diferença entre justiça e vingança. A crítica se dividiu exatamente nesse ponto: parte elogiou a coragem de fazer um filme de super-herói com esse registro (e a entrega física de Alcock), parte achou que o tom oscila sem resolver. Kara aqui não é a versão otimista do primo — é uma sobrevivente que viu Krypton morrer lentamente, e o filme não suaviza isso.
“O DCU está fazendo o que o gênero raramente permite: entregar personagens a autores com voz própria e aceitar o resultado nas urnas.”
O placar final ainda vai se mexer — julho tem concorrência pesada —, mas a leitura estratégica já é possível: Gunn e Safran preferem filmes com identidade e orçamentos controláveis a blockbusters de comitê. Nem todos vão acertar o alvo comercial. A pergunta que importa é se a soma constrói um universo com autoria — e, nesse quesito, Supergirl aponta na direção certa.
