Na cerimônia do 97º Oscar, em março de 2025, Duna: Parte Dois confirmou o favoritismo técnico e levou duas estatuetas: Melhor Som, para Gareth John, Richard King, Ron Bartlett e Doug Hemphill, e Melhores Efeitos Visuais, para Paul Lambert, Stephen James, Rhys Salcombe e Gerd Nefzer. Na categoria de som, o filme superou A Complete Unknown, Emilia Pérez, Wicked e Robô Selvagem; em efeitos, deixou para trás Alien: Romulus, Better Man, Planeta dos Macacos: O Reinado e Wicked.
O prêmio duplo não foi acaso: é a assinatura de um método. A equipe de Denis Villeneuve trata som e imagem como um único sistema — e as duas categorias premiaram, na prática, o mesmo princípio de design: fazer o deserto de Arrakis parecer um lugar real, com física própria, e não um cenário digital.
Areia de verdade, silêncio de verdade
No som, o time de Richard King (veterano premiado por Inception e Dunkirk) construiu a linguagem sonora dos vermes de areia e dos ornitópteros a partir de gravações físicas de areia, vento e materiais reais — processadas, mas nunca sintetizadas do zero. O resultado é um filme que usa silêncio e sub-graves como ferramenta dramática, algo raro em blockbusters.
Nos efeitos visuais, a dupla Paul Lambert e Gerd Nefzer (a mesma de Blade Runner 2049 e do primeiro Duna) repetiu a filosofia de capturar o máximo possível em câmera: cenas rodadas em desertos reais da Jordânia e de Abu Dhabi, efeitos práticos de Nefzer no set, e a DNEG compondo por cima de material fotográfico — em vez de substituir tudo por ambientes 100% digitais.
“O segredo de Duna não é esconder o CGI: é ancorar cada pixel digital em algo que a câmera realmente fotografou.”
Para quem cria tecnologia, a lição é transferível: a ferramenta mais avançada rende mais quando usada para amplificar dados reais, não para substituí-los. É design de sistema aplicado a cinema — e o Oscar duplo é a validação disso.
